O RATINHO

Esta ideia de abnegação absoluta está ilustrada no seguinte conto: — Depois da batalha de Kurukshetra, os cinco irmãos pândavas celebraram um imponente sacrifício, dando ao mesmo tempo esmolas aos pobres. Todos estavam assombrados ante a magnificência do sacrifício e diziam que nunca se vira outro igual no mundo. Mas depois da cerimônia chegou ali um pequeno rato, cuja metade do corpo era doirada e a outra metade parda. Principiou então a esponjar-se no assoalho da sala do sacrifício, e depois disse: ¨Isso não é sacrifício¨. ¨Como?¨ disseram, dizes que isso não é sacrifício? Ignoras quanto dinheiro e joias foram distribuídos aos pobres e quanto cada um deles se tornou rico e felizes? Este foi o sacrifício maior que um homem já realizou.

Porém o ratinho retrucou: Certa vez, numa pequena aldeia residia um pobre brâmine com sua esposa, seu filho e sua nora. Eram muito pobres e viviam das pequenas dádivas que lhes eram oferecidas por pregarem e ensinarem. Aquela cidade passou por um período de fome durante três anos e o pobre brâmine sofreu muito mais do que outrora. Finalmente, Quando a família que há dias já não se alimentava, o pai trouxe uma maçã e um pouco de farinha de cevada que tivera a sorte de conseguir, dividiu tudo em quatro partes iguais e deu uma a cada familiar. Preparavam-se para come-la, porém nesse momento bateram à porta. O pai a abriu e apareceu um hóspede. ( É bom saber que na Índia um hóspede é pessoa sagrada, é considerado como um Deus enquanto dura a hospedagem, e deve ser tratado com devoção). Então o pobre bramine lhe disse:  ¨Entrai, senhor; bem vindo sejais¨. Pôs diante do hóspede seu alimento, que ele comeu rapidamente, dizendo: Oh! Senhor, faz dias que não como, e este alimento veio aumentar a minha fome.¨ Então a esposa disse a seu marido:  Dai-lhe a minha parte, ao que ele disse: Não. Porem ela insistiu, dizendo: Está aqui um esfomeado e nosso dever como chefes de família é dar-lhe de comer. Como esposa cumpro o meu dever dando a minha parte, visto que não tem nada mais para lhe oferecer. E deu-lha. Mas, depois de come-la, o hóspede ainda estava com fome. Em vista disso, o filho disse: Tomai também a minha parte. O dever de um filho é ajudar os pais a cumprirem suas obrigações. O hóspede comeu, mas não se mostrou satisfeito, e por isso a esposa do filho lhe deu a sua ração. O hóspede saiu bendizendo-os. Naquela noite, os quatro morreram de fome.

Alguns grãos daquela farinha caíram no chão, e ao esponjar-me nela, a metade do meu corpo ficou doirado, como vedes. Desde então venho correndo o mundo inteiro, procurando outro sacrifício como aquele, porém em nenhuma parte o encontro, o que não me permitiu doirar a outra parte do meu corpo. Portanto, afirmo que isso não é sacrifício.

 

 

Do Livro: Karma Yoga de Swami Vivekananda

 

 

Fabio A. S. Prado

ocultista

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Blog Do Fábio Prado

Este blog visa criticar a situação caótica da vida social, politica e religiosa deste pais. Tudo que escrevo e talvez se Deus me permitir escreverei faz parte daquela verdade que acredito e há muitos anos venho estudando, pode não ser a sua verdade ou a verdade verdadeira, mas venho notando que no mundo há duas facções de pessoas, as que acreditam na reencarnação e as que não acreditam. É para aquelas que acreditam que vou tentar passar um pouco dos conhecimentos que adquiri ao longo desta existência. Peço a Deus que ilumine meus pensamentos e guie meus passos nessa trajetória de tentar me tornar um arauto do Senhor. Que a paz e o amor de Jesus esteja conosco agora e sempre. Não reparem a minha escrita pois só tenho o curso primário. Fabio A. S. Prado Ocultista

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